Viva!Já lá vai mais de uma semana, mas ainda se fala da final da Taça da Liga realizada no Algarve. É a chamada intemporalidade do futebol. Este carácter intemporal do futebol tem destas coisas, ou seja, passados 9 dias ainda se fala do encontro entre o Benfica e o Sporting. Aliás, se há coisa que caracteriza o futebol, nos dias de hoje, juntamente com a sua intemporalidade, são os comentários do Luís Freitas Lobo. Ora, Freitas Lobo consegue transportar o movimento sobre si mesma da bola de futebol, para um plano de acção interminável em constante interacção com a relva (!) e com a intencionalidade do futebolista que, exerce o seu talento expressando a sua arte na forma como direcciona a bola. O quê? Pois é, isto é futebol, ou melhor, é uma bola a rolar e um futebolista que lhe empresta uma força para que ela role. Para Freitas Lobo é tudo aquilo.
Se Luís Freitas Lobo e o carácter intemporal são os elementos mais característicos do futebol moderno, é certo que as arbitragens não o são menos. Prova disto mesmo são as reacções que se sucederam após a final da Taça da Liga, ganha pelo Benfica. Houve quem esperneou, insultou, desse umas peitadas, outros há que se recusassem a baptizar mais crianças com o nome "Lucílio". Curiosamente, o árbitro da final da Taça da Liga tem por nome "Lucílio Baptista". Ora, houve um sacerdote sportinguista (sempre gostei mais desta designação ao invés do "padre". Sempre é mais abrangente e engloba tudo que se vista de saias com umas calças por debaixo) em Lisboa que, no dia seguinte à final, anunciou que não baptiza mais crianças com o nome "Lucílio".
Confesso que o nome "Lucílio" não desperta em mim grande interesse. Estou em condições de avançar que, se um dia participar na procriação de um rebento, nunca mas mesmo nunca lhe chamaria "Lucílio". Não tenho nenhuma razão em especial para não gostar do nome, mas simultaneamente tenho todas para justificar esta minha aversão ao nome. Por exemplo, "Lucílio" rima com quê? Parilio (existe mesmo), Cirilio (deve ser italiano), enfim com tudo que termine em ´ilio´ e já vimos que isso não soa nada bem. Outra razão por não querer colocar nome de "Lucílio" até ao meu grilo, prende-se com a confusão que existe nos meios de comunicação portugueses acerca do acento na palavra "Lucílio". Ora, há quem o coloque no primeiro «i», outros há que o colocam no segundo e também há quem não arrisque e vai na volta não colocam nenhum acento em qualquer dos «ii», o que dá o lindo "Lucilio". Para evitar estas confusões, eu cá prefiro Belchior, ou Saberino ou ainda, Ludovino (sempre rima com ´violino´, o que dá um ar de intelectual).
No entanto, o que apoquenta este padre lisboeta não são as dificuldades lexicais em torno da palavra "Lucílio", mas sim o facto de ele, supostamente, ter prejudicado o Sporting na final da Taça da Liga. Assim sendo, recusa-se a baptizar quem quer que seja com esse nome. Desconfio que este sacerdote também nunca baptizou ninguém com o nome de "Lucílio" em toda a sua vida enquanto pregador da palavra do Senhor. Mas, mesmo assim, não vejo motivo para interditar os baptismos a crianças que, tiveram o azar dos pais lhe darem o nome de "Lucílio", é demagógico. Nesta ordem de ideias, nunca mais se baptizavam crianças com nomes como: "Valentim", "Alberto João", ou "Fátima". Diga-se, que assim de repente, não se perdia nada.
Seriamente preocupado com esta ameaça lançada por este padre resolvi procurar a origem e significado da palavra "Lucílio" e descobri que deriva de "Lúcio", e simultaneamente, significa:
sig. "Lucílio" - "Algo ou alguém que gosta de valorizar as pequenas coisas"
Cá está a explicação para o facto de o padre não querer baptizar mais ninguém com este nome! É que a valorização das pequenas coisas não leva a lado nenhum. Actualmente, a sociedade é feroz e alguém que se fica pelas insignificantes "pequenas coisas" está ultrapassado! E eu a pensar que era por causa do penalti assinalado contra o Sporting...
Imagino o que não diria Luís Freitas Lobo sobre esta acção clerical em resposta ao penalti assinalado por Lucílio Baptista contra o Sporting, do género:
Luís Freitas Lobo - "Analisando este corte efectuado por um representante da Igreja Apostólica Romana, diria que representa a essência do que hoje simboliza a acção do pivô defensivo no futebol europeu. Em rigor, o padre de Lisboa organiza o jogo à frente da grande área, abrindo nos flancos os alas que criam as linhas de passe para terminarem em diagonais em direcção à baliza adversária. Tudo isto é possível pela simplificação nos cortes de água benta nos baptismos na Igreja de Lisboa, acarretando circulação de água para outras cabeças com nomes mais vistosos. Isto é o futebol de hoje!"
Eu não diria melhor. Só acrescentaria, o futebol é mesmo transversal.

p.s: Acho que nunca na vida escrevi tantas vezes o nome de um árbitro de futebol. O teclado já escrevia a palavra "Lucílio" autonomamente aquando da introdução das letras "L - u -c" e ele assumia como sendo "Lucílio".
p.s: Falar e escrever à Freitas Lobo dá trabalho, muito trabalho mesmo. Agora, percebo porque se fala no futebol moderno como sendo chato e pouco animador.


8 comentários:
Poça, isso do Freitas Lobo ou Raposa ou o que é... é coisa para ser mesmo chata! Eu já não percebo de futebol, agora quando se fala nele de forma lírica muito menos! :P
Grande senhor este padre! Lool :P
Tiago
nanri,
Leis Freitas Raposa??? Lool essa é boa! De facto, o futebol tem muito de poesia e de arte, é uma questão de o vermos dessa forma! Eu cá normalmente, desde que a minha equipa ganhe, tudo bem! Até podem dizer que o Fernando Pessoa dava um bom lateral-esquerdo, mas desde que o FCP ganhe, tudo em ordem!
Tiago,
Não sei se é grande, mas que não é grande em termos de inteligência e perspicácia, lá isso não!
Loool
"tudo que vista saias e umas calças por debaixo" é padre! :P
Cris,
Ora nem mais! Padres, sacerdotes, abades, monges... por aí!
Fernando Pessoas a lateral-esquerdo (seja lá o que for isso, faço uma ideia vaga sobre o assunto) parece-me muito bem! F. Pessoas sempre prezou pela versatilidade, sobretudo quando encarnava outras personagens sob o efeito de substâncias menos próprias (más línguas!).
nanri,
pois, Pessoa sempre foi assim um pouco malandro! Mas, isso só vem comprovar que actualmente, no futebol, se faz uso dos métodos em tempos usados por F. Pessoa. Por exemplo, o Miguel Veloso que fala de si como senão fosse ele próprio (confuso?). Pois, mas ele é mesmo assim confuso. Há 2 Migueis Velosos, como haviam 3 F. Pessoas!
O Freitas Lobo ainda não fez esta comparação, anda distraído! Penso que seria muito oportuna!
Loool :P
Devem ter penteados semelhantes! Sempre ouvi que o novo Pessoa estava para chegar!
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